Open/Close Menu Pediatria e medicina intensiva

O Ministério da Saúde anunciou que, a partir de 22 de agosto, todos os bebês com idade entre seis meses e um ano devem ser imunizados contra o sarampo. A doença, transmitida por um vírus, estava erradicada no Brasil desde 2016, mas voltou a circular. Desde janeiro, são 1.680 casos confirmados em 11 estados, mais de 98% deles em São Paulo.

Apesar da alta incidência paulista, a regra vale para todo o país, mesmo em cidades que não tem casos registrados. A dose é considerada extra. Ou seja, não substitui as duas que devem ser aplicadas depois do primeiro aniversário.

Por que a recomendação foi feita?

Antigamente, a vacina era oferecida em dose única aos seis meses e, depois, passou a ser oferecida aos nove meses para, enfim, chegar à recomendação anual: duas doses, aos 12 e 15 meses.

Quem deve tomar?

A prioridade atual é para os bebês dos seis meses aos onze meses e 29 dias e jovens adultos dos 15 aos 29 anos, que concentram a maior parte dos casos da doença. Os bebês nesta faixa etária são o segundo grupo mais atingido, daí a necessidade de vacinar.

Já as crianças que receberam as duas doses depois do primeiro ano de vida estão protegidas — a eficácia da vacina é de 98%. É importante que os bebês sejam imunizados mesmo que não haja casos no seu município, pois o vírus se espalha facilmente por meio de viajantes.

Gestantes não podem tomar a vacina, por isso é ideal que as pessoas ao seu redor estejam devidamente vacinadas. Caso ela tenha contato com alguém que pegou a doença, pode recorrer ao hospital para receber uma dose do anticorpo pronto para combater o sarampo.

Se o bebê toma leite materno depois dos seis meses, também precisa vacinar?

Sim. Neste caso, ele tem proteção em dobro. O sarampo pode ser muito grave e não é possível saber se o bebê está ou não protegido pelos anticorpos da mãe, então é melhor garantir.

Onde tomar?

Em unidades básicas de saúde (UBS) do país e durante mutirões em escolas e outros espaços públicos.

O sarampo pode matar?

Pode sim, especialmente os mais novos, cujas defesas ainda estão em desenvolvimento. Para se ter ideia, em 2017, a doença causou quase 110.000 mortes no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Crianças pequenas desnutridas, em especial com deficiência de vitamina A, estão em maior risco.

Mesmo que a situação não evolua desta maneira, há complicações, como dano cerebral, cegueira e perda de audição. Podem ainda ocorrer infecções secundárias, como sinusites, otites e pneumonias. 

Como se pega sarampo?

O vírus se transmite muito facilmente pelo ar, por meio de partículas virais liberadas por secreções como um espirro, coriza ou saliva. Os primeiros sintomas são febre alta, dor no corpo, tosse persistente, mal estar, irritação ocular e corrimento no nariz. Eles surgem até duas semanas depois do contato com o vírus. Em seguida, aparecem as manchinhas vermelhas características. A pessoa infectada começa a transmiti-lo cerca de cinco dias antes e até cinco dias depois das manchas aparecerem. 

A vacina é segura para bebês?

Sim. Infelizmente, o sarampo voltou a assustar, pois os índices de cobertura vacinal caíram não só no Brasil, mas no mundo. O risco de reações adversas é pequeno. Em 5% dos casos, pode haver pequenas irritações locais, como dor, vermelhidão e inchaço, pois a injeção é subcutânea. Além disso, entre 5 e 15% das pessoas podem ter sintomas leves de alguns dos componentes da vacina, como um mini sarampo, mas eles passam em pouco tempo.

O que mais posso fazer para proteger meus filhos?

A vacina é a maneira mais eficaz de impedir que a doença apareça. Fora isso, talvez evitar expor as crianças não vacinadas a locais fechados com muita aglomeração de pessoas, pois esse ambiente favorece a transmissão do vírus. Os médicos também recomendam deixar o pronto-socorro só mesmo para situações de urgência e emergência.

O vírus que circula por aqui é diferente?

O sarampo tem oito subtipos e mais de vinte genótipos. O que está circulando aqui é o D-8, em alguns casos com pequenas mutações genéticas. A vacina é feita com o subtipo A, mas na prática os vírus se comportam de maneiras muito parecidas, então a vacina protege contra todos.

Fonte: Dr. Origenes J. Capellani (CRM 12564) / Bebe.com.br

CategorySaúde
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